terça-feira, 27 de outubro de 2009


terça-feira, 29 de setembro de 2009

O trabalho de domingo começou com sol. Dez saudações ao sol abriram o dia dos 15 participantes do experimento do dia 27/09. Dois convidados nos acompanharam na brincadeira: Alicio e Juliana (obrigada pela presença, aliás). E os ausentes puderam sentir então que aquela era abertura de um trabalho que pedia entrega, concentração e disponibilidade.

Érika Cunha, a condutora deste dia, nos convidou primeiro a um trabalho de corpo, intenso, de abdominais e poli-chinelos. Disciplinados, os ausentes sentiram nos músculos aquele treinamento rígido, sem esquecer de abrir os ombros e respirar. Alguns movimentos de kung-fu trouxeram aos músculos um grau de tônus maior, precisão no movimento, ativando o baixo-ventre, as bases, a presença. E presença foi uma das palavras mais condutoras de todo o trabalho, não citada, mas no consciente calado dos participantes. Dai, lentamente, levamos o corpo para tomar aquele sol abençoado.

Parte a parte, cada um tomava o seu espaço na sala e ia encontrando a melhor maneira que alongar e espreguiçar as partes que normalmente não são atingidas por luz, e por movimentos mais cotidianos. Ora delicado, ora intenso. O tônus, pode, final, ser delicado e a precisão, nunca abandonada mesmo ativando o mais lúdico do corpo. Experimentar, permitir o corpo ousar.

A queimada, extravasou nossos pequenos gritos, uma vez nestaimeira parte da aula. E a queimada voltou mais tarde. Mas já já eu falo disso.

Na segunda parte do experimento, acessamos o corpo, parte a parte, osso a osso, entragando a possibilidade de movimentação aos poucos, do corpo que invade o espaço, que se expande e que aproveita todas as possibilidades de movimento. O corponatotalidadedomovimento, e nesta 'dança' pudemos escolher três objetos. Três, objetos ou pessoa que queríamos levar conosco, pra sempre. Encontrando uma forma de pegá-lo e de levar, junto de si. No corpo, no passo, na respiração. Como carregá-los com o cuidado que merecem ser carregados? Dialogar, com o corpo com os objetos e com o outro, com seus objetos. Quais diálogos o corpo pode estabelecer, qual o ritmo, quem fala, quem ouve. E se tentasssem tirá-los de você? Como você se defenderia.

Trabalhando com a idéia de defesa, trouxemos a mente a imagem de um animal, e de como a fêmea deste animal defende seus filhotes. E dois a dois defendemos uns para os outros, aquilo que nos era tão precioso. Sem ataque, só defesa. Ampliando a sensibilidade corporal praquem passa por nós, quem nos olha, quem se aproxima. E com estes corpos pesquisando o corpo do animal fomos convidados a voltar a queimada.

Ninguem falava, agora. E adivinha se precisava. Não. O corpo ali, na sua poesia homem-animal, jogou a queimada, e a minha impressão é que terminou muito mais rápido do que quando podiamos conversar. Não precisa, e toda a energia que poderia ser gasta com a fala, estava no corpo, atento, quente, vibrante.

E com todo este calor, atravessamos a sala numa caminhada que durou quarenta minutos, juntos, passo a passo. O tempo de dentro do corpo, o tempo do passo do corpo, o tempo do grupo e o tempo do relógio. Os ombros, começaram a reclamar a gravidade que obrigava a postura a permanecer ereta; os dedos inchados e o olhar (repetindo a palavra, de novo e de novo) presente.

Presença. Atenção. Prontridão.

E última dança me mostrou como coisas novas aparecem no meu repertório de corpo. Ele, feito criança com brinquedo novo, aproveita da idéia dos ritmos, do tônus, do delicado e do intenso. Goza a entrega que se instaurou na sala, pra celebrar, em movimento, o cansaço e cada barreira que ele (e a Érika) pacientemente quebraram.

Kéroly.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

27/09/09 - Experiências do Corpo

I EXPERIMENTOS


Momentos para experiência e aprendizagem


20/09/09

(Casa Brasil - Pe. Leo Comissari)



Jogos e Improvisação, a partir do clow - coordenação Ailyn Ramirez e Ana Luiza


Começamos com um aquecimento corporal para soltar o corpo.


Em seguida em dupla fizemos um jogo de mostrar o que sabíamos fazer e contagiar o outro, fantástico como um bater palmas contagiava o outro, foi um exercício de aceitar e acreditar no que fazíamos.


Depois fomos para o jogo do presente, também em dupla, davamos um presente imaginário e a outra pessoa tentava advinhar com as dicas de utilidade que dávamos, as situções eram as mais inusitadas, quase comi a barata que a Paula me deu, ainda bem que era invisível, também um jogo de acreditar, tanto para quem recebia como para quem dava o presente.


Fizemos um exercício de chegar no extremo da alegria e da tristeza, primeiro uma pessoa neutra dava um sorriso e passava para outra pessoa que transformava esse sorriso até chegar ao extremo da risada; com a tristeza o procedimento foi o mesmo, alguém passava um rosto triste até chegar no extremo do choro, o mais interessante é que nos extremos as sensações eram parecidas, não dava pra saber se estavam rindo ou chorando.


Agora o momento mais mágico: colocar o nariz " a menor máscara do mundo", o respeito com que Ana e Ailyn trataram desse momento foi incrível, a valorização do palhaço. Quando colocamos o nariz era como se fôssemos crianças descobrindo o mundo, olhando tudo como se fosse a primeira vez. Fizemos o exercício da coxia, com ele exploramos a disponibilidade, verificamos que tudo comunica, então temos que ficar atentos aos gestos, tínhamos que está em estado de prontidão sempre.


Valeu a experiência, o cuidado, a maneira como foi conduzido, tudo na medida certa.


Nádia









quinta-feira, 27 de agosto de 2009

AGENDA.


Clarice: em cena


UNIBAN – 26 de agosto – 20h:


sábado, 11 de julho de 2009

Nucleo Ausência em Cena na
Casa da Palavra.






terça-feira, 12 de maio de 2009

Clarice: EM CENA



SABADO, 27 de Junho – 18h

CASA Brasil no Pe. Leo Commissari
Centro de Formação Profissional “Padre Leo Commissari”

Rua: Padre Leo Commissari 288 – JD Silvina – SBC
Tel: 4127 – 0866

GRATIS!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Agenda

CLARICE EM CENA
Dia 15 de maio (sexta-feira), às 19h

Apresentação gratuita da Programação Cultural na XIII Semana de Filosofia da UMESP "O Pensamento Filosófico e a Revolução Francesa"

Rua Alfeu Tavares, 149 - ANEXO FI - Rudge Ramos - São Bernardo do Campo

quinta-feira, 9 de abril de 2009

De onde vem essa Ausência em Cena...


Da vontade de frequentadores da Câmara de Cultura Antonino Assunção, em São Bernardo do Campo, nasceu o projeto "Clarice Lispector:", realizado de abril a julho de 2008. A programação contou palestras, espetáculos e oficinas que abordavam o universo intrigante e misterioso da obra da escritora.
Uma das últimas oficinas que compunham a programação recebeu o nome de "Clarice: em cena" e foi conduzida pela atriz Paula Carrara durante o mês de julho. Os inscritos foram divididos em duas turmas. A proposta consistia em trabalhar a partir de contos da obra "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector. À primeira turma couberam os contos "A mensagem", "O primeiro beijo" e "Tentação", enquanto a segunda tomou contato com "O ovo e a galinha" e "A legião estrangeira".O resultado do trabalho que cada grupo realizou durante aproximadamente uma semana foi levado ao público por meio de um exercício cênico que recebeu o mesmo nome da oficina.

A experiência de mastigar, cheirar, comer...enfim, sentir o texto das mais diversas formas até que pudéssemos transpô-lo para partituras corporais, os exercícios que incomodavam as formas acostumadas do corpo, a concentração que pedia que o silêncio tomasse conta do espaço, as massagens - huuum! - das quais brotavam dores, sons e prazer - e a constante exigência de Paula para que estivéssemos atentos ao mais importante - nos divertirmos! - deixou em nós "inúmeras e inimagináveis riquezas"; "uma beleza de olhar novo".
Contato bom e transformador: desejamos mantê-lo. Tempo vai, tempo vem, conversas, encontros, mensagens, poesias, saudades... Até que em Janeiro de 2009, nos encontramos num bar e ousamos perguntar uns aos outros: "Por que não continuamos?". Não encontramos respostas que nos preenchessem tanto quanto aqueles encontros nas noites de julho, e novamente nos fizemos presentes no começo de Fevereiro de 2009, na Câmara de Cultura Antonino Assunção para retomar nossos exercícios, ensaios e experiências de troca.
Eis que em um mês estávamos "em cena", com Clarice, outra vez. Apresentação nova, recheada de prazer, que unia o trabalho dos dois grupos - que agora era um só. Desta vez não deixamos tudo que nos preenche esfriar. Ausentes de nossos pensamentos que nos levam para longe - e nos fixam as chamadas "obrigações do dia-a-dia", vulgos trabalho, casa, faculdade, dinheiro - nos sentamos, confirmamos que o que fora bom para um fora também muito bom para o outro e, ausentes em cena, estamos aqui.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Ausência em cena...


Ausência: s. f. 1.Estado ou circunstância de não estar presente; 2.Tempo que dura a ausência. 3.Falta de comparência. 4.Carência.

Cena (ê): s. f. 1.Palco (1.ª acepção). 2.Cenário. 3.Arte dramática. 4.Subdivisão de um ato durante o qual as mesmas personagens ocupam a cena. 5.Teatro. 6.Conjunto de objetos que se oferecem à vista. 7.Espetáculo. 8.Panorama. 9.Vista. 10.Paisagem.11.Ação, ato ou fato que prende a atenção, que faz despertar qualquer sentimento. 12.Cena cômica: peça jocosa em um ato representada só por um ator.

Ausência em Cena: acossados pela duração e implacabilidade do tempo, a cena torna-se o lugar onde o instante quer fazer-se perpétuo; quer, na sua finitude, perdurar dentro de quem testemunha a aparição dessa ausência-presença. Nós, arquitetos desse paradoxo, temos como instrumento o nosso corpo: é ele que damos a sacrifício para a dissolução do instante (nós somos um corpo – quem de fato é dado a sacrifício?) Compomos gestos insensatos, fungindo à razão, encontrando a loucura; buscamos o ser-corpo. É nele que existimos. E a existência habita o lugar onde despertamos os sentimentos numa iluminação em via dupla, ausente de quarta parede – ausentes de nós. Ser-somente corpo.

Ausência