segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Protocólo Sensível
(encontro de sábado: 06/02/2009)
Sábado começa já quente nos caminhos de São Bernardo. A força para chegarmos no horário, e a importância da presença, elemento este único de garantia que o trabalho proporciona. E começamos! Primeiro a massagem nos pés, lembrando que o encontro com o outro é muito importante. Abrir espaços é gostoso, mas dói. O corpo que se desacostumou no trabalho, se desacostumou com o calor que os alongamentos proporcionam. A Paula lembra, 'espalhem o calor produzido numa arte do corpo alongada, para o resto do corpo, distribuam que dói menos'. Logo o silêncio estava cheio de energia, de energia de tentar superar aquele milímetro da perna que abre e alonga. Lembrar de respirar, aceitar e não negar o exercício. A importância da precisão, palavra que iniciou os trabalhos este ano se repetiu nesta etapa do trabalho. A importância não do quanto se consegue num alongar, mais com qual precisão se atinge.
Depois desta etapa, vestimos as nossas sapatilhas imaginárias e aprendemos alguns movimentos da dança. todos eles pediam muito do abdómen e das pernas; traziam em si uma ideia de pêndulo e davam uma imagem bonita refletida no espelho. Somos muitos, enchemos uma sala, enchemos o espelho. Logo depois, a proposta era o rolamento no chão, da entrega do corpo, cansado mas em trabalho. Pra encerrar esta etapa de contato com a dança, pular colchões pra treinar saltos. Antigas crianças testando seus limites.
Antes de vermos as cenas, fomos surpreendidos pelo protocolo sensível da leitura, proposta nas férias, da Lili. Nos falou a respeito da tradição narrativa de se contar enquanto se produz manualmente. E, com um ovo, farinha, fermento e temperos, o mão suja de farinha e um pão sendo amassado. Um p]ao, dividido em quatro e temperado a seis, oito, dez mãos diferentes. E o cheiro do forno quente ia deixando o calor do lugar mais agradável.
No final, após assistirmos as cenas de Aninha e Cláudia, e da Nádia com a Solange. Curiosidades à parte, as cenas foram assistidas com o cheiro do pão no forno. O gosto do bolo, o encontro com o espelho que perguntava se você já existiu. Questões e mais questões levantadas: quem narra, como narra, com qual propriedade narra?
As duas semanas sem encontro seguem com pesquisa e com perguntas. As minhas inspirações, quais são? e o gosto de pão quente na boca, o ensaio termina. Temos trabalho, muito trabalho. Mas ainda temos bolinhos de chuva, pães de queijo...
Kéroly Gritti.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Condução feita por Raíça e Raquel
Antes de tudo, escrevemos três verbos num papel, verbos que estão presentes nos nossos respectivos textos do "Clarice".
O início do trabalho corporal trouxe concentração e atenção. Começamos com alongamentos acompanhados de respirações profundas, cada uma propondo um movimento diferente. Depois jogamos flechas em cima de um pulso marcado, que acelerava aos poucos e também desfazia a posição de roda. O olhar e a percepção do outro são cada vez mais procurados.
Quando já estávamos correndo, somos provocados a parar, fechar os olhos e apontar para uma pessoa específica. Estar presente, em ritmo intenso e rápido, mas sem perder a visualização do espaço (como ocupá-lo inteiramente) e de todas as pessoas em movimento.
E isso é só o começo. O corpo é instigado a mover-se, a aproveitar esse tempo para se soltar e expandir. A indicação é ter pés de galinha, pernas de felino, lagartixa no quadril, serpente na coluna e macaquinhos na cabeça! Depois ainda acrescentamos o pisar em ovos, as mãos que doam, a gola de palhaço e a coroa na cabeça.
Mesmo quando o corpo mostra resistência, as imagens ajudam a impulsionar novos movimentos e sensações. E é dessa provocação que motivos interessantes aparecem.
Depois foi adcionada a tensão ao trabalho. Com a ajuda de uma corda, trabalhamos em dupla numa espécie de cabo de guerra, com o objetivo de firmar três posições diferentes para esse ato de puxar. A percepção de como os músculos do corpo se encontram é vital, pois depois reproduzimos as mesmas posições, porém sem a corda. Estabelecemos um tônus e também fomos incitadas a trabalhar em diferentes andamentos, até que tudo vire uma dança, ganhe fluidez.
Aqui começam a entrar os verbos que escrevemos no início. Agora são eles que inspiram novas posições, três posições diferentes para três verbos. Planos, intensidades, ritmos variados são bem vindos, até que se faça uma certa dança, novamente com fluidez. Aos poucos, cada pessoa constrói uma partitura, uma investigação própria.
E para explorar isso ao máximo, somos desafiadas a responder a um estímulo musical. Desafio mesmo, porque vem com a surpresa de se deparar com É o Tchan, Backstreet Boys, Araketu, Chitãozinho e Xororó, e por aí vai...Provavelmente tivemos um pouco de medo de ser ridículas, mas incrível que isso trouxe movimentos e intenções novas para as partituras, além de ter sido muito prazeroso e divertido. Terminamos em grande estilo Spice Girls, tentando convencer as nossas condutoras a nos contratar para um show grandioso!
Depois de um momento para registro corporal e escrito, voltamos e agora mostramos nossas partituras para o outro, procurando uma conversa. Em duplas, tensões e olhares se misturavam, formando pequenas histórias, sentimentos, choques, sustos. Agora nos modificamos e ao mesmo tempo nos mostramos ao outro.
Ao final, trabalhamos diretamente com nossos textos Claricianos, encaixando as partituras. Foi interessante observar os outros, como certas palavras ganharam novas aberturas, inclusive no trabalho de quem já tinha uma partitura definida.
Lili
sábado, 19 de dezembro de 2009
Para registrar a trajetória do núcleo, preciso começar pelo ultimo encontro, dia 16 de dezembro, quarta-feira, sentamos na sala da casa da Raquel, comemos pizza e fizemos a retrospectiva da nossa caminhada.
Nascemos em fevereiro de 2009, pouco tempo depois do fim da oficina “Clarice: em cena” que participamos em julho de 2008 na Câmara de Cultura.
Reunimos nossos desejos e escolhemos continuar exercitando a experiência dos sentidos: olfato, paladar, tato e audição provocados nos textos de Clarice Lispector. Retomamos o exercício e ampliamos os sentidos com “micro cenas” criados a partir de uma proposta onde escolhemos novos textos e também imagens, despertamos então o quinto sentido: a visão.
E foi assim que firmamos o exercício “Clarice: em cena” e apresentamos em diversos lugares especiais da cidade e da Grande São Paulo.
Dividimos esse período em dois tempos.
1º tempo: O corpo do exercício:
Arquitetamos uma forma original, o corpo do exercício, neste processo criamos as partituras e os movimentos do “Ausência”.
2º tempo: O exercício e o observador:
A proposta foi dedicar uma atenção especial para a platéia, dizer o texto com cuidado, transmitir luz nas palavras e entregá-las ao observador, que ao receber reagiu, (o que nos ajudou a compreender melhor os textos e as situações do exercício). Mudamos o nosso espaço geométrico e experimentamos alturas e gravidades diferentes.
Iniciamos também treinamentos/Workshop, o que chamamos de “Experimentos”. Foram três:
- Exploração de sonoridades - coordenação grupo Grilllos
- Jogos e improvisação, a partir do clown - coordenação Ailyn Ramirez e Ana Luíza Caetano do Núcleo Ausência em Cena
- Experiências do corpo - Erika Cunha - Núcleo Vazantes/ Cia. Berro dàgua.
*Vale à pena ressaltar que tivemos o prazer de receber no Workshop o Alicio e a Juliana que são figuras muito especiais.
Encerramos as nossas atividades do ano com a apresentação do exercício no Teatro Elis Regina.
Palavras ditas na ultimo encontro:
Apropriação, transformação, cuidado, compreensão, confirmação, amadurecimento, busca, paixão, encontro, intimidade, respeito...
Agradecimentos 2009:
Antes, vamos nos agradecer pelo comprometimento que tivemos com o Núcleo Ausência em cena. *Atriz e diretora Paula Carrara pela compreensão e dedicação que ela tem com o nosso trabalho. *Atriz Erika Cunha que ministrou o workshop “Experiências do corpo”. *Juliana e Alicio. *Ana Célia.*Ao espaço “Pombas Urbanas” pela recepção e respeito que nos dedicou no dia em que apresentamos o exercício. *Universidades: UMESP, UNIBAM e USP. *A secretaria de cultura da cidade de Diadema e de São Bernardo do Campo. *Grupo Grillos. * Nossos familiares e amigos* Todas as pessoas que contribuíram e acompanharam o nosso trabalho durante o ano de 2009.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
volto ao treinamento de dois meses atrás para chegar até aqui...
divagações do corpo habitado pela urgência da vida que se entrega ao EXPERIMENTO.
se esforçar para conseguir atingir o alvo implica em descobrir de onde vem o impulso para o movimento, os apoios, o eixo do corpo, o equilíbrio e o desequilíbrio e sentir que todas as partes participam e são sentidas juntas.
inicialmente há uma tensão para conectar tudo sem enrijecer, mas a tensão já me enrijece, quando fomos adicionando as articulações aos poucos é que pude iniciar a experiência do corpo inteiro, mas é necessário persistência e estudo para que este registro não se perca.
o que só eu vi, o que só vocês viram (eu no centro, vocês ao meu redor, o macaco na roda, e ele quer sair!!)
estar na roda, desconcertada, desconfortada e entender que a neutralidade ou limpeza revelam maior beleza que os disfarces para preencher o vazio. mas só quando finalmente dou fé, escolho estar diante do outro nua porque desejo lhe comunicar e estou inteira, sem excessos, sem movimento supérfluo, sem máscara, generosamente à vontade. e o outro? responde-me com seu olhar, porque também se abre entrando no jogo para conhecer o que virá. e o que veio pra vocês? observantes de mim? o que eu vi nos olhos de vocês eu nunca tinha visto.
por fim, tempo e movimento... degustar em si mesmo o deslocamento do tempo no deslocamento do corpo, leve e presente, suave e decidido em setembro de 2009.
mas hoje é sexta-feira de um dezembro e já não me lembro tanto, semana passada nos encontramos num sábado quente de chão de madeira, chão em que nos plantamos corpo inteiro, com temperatura e o peso dos ossos. do corpo chão ao corpo desconcertado, desconstruído, explorando apoios, tônus, velocidades e planos.
diogo e raquel conduziu-nos nesta manhã. de um a dez a máxima aceleração e stop! perceber corpo, onde pisa o corpo, em que se sustenta o corpo, respirar o corpo em que direção e com qual impulso.
depois um jogo de falar o texto para um certo público, e não me lembro o começo disto, mas era tão desafiador fazer o texto chegar a este público que se movia em várias direções e planos, experimentando outros modos, timbres e intenções de dizer o texto a partir da condição do público buscando provocá-lo porque ele nos provocava. e especialmente ouvir a própria voz no espaço.
depois ou antes, que já disse que não lembro, nós equilibramos o bastão na palma da mão, na ponta dos dedos. o corpo em bloco. eixo do corpo com cabeça que pensa: o ângulo da flexão do joelho, para onde aponto o pé, meu peito vai em qual direção? minha bunda e a coluna? pescoço para cima ou para frente? relaxo o ombro? pernas abertas? to mordendo os lábios? o que faz agora minha outra mão? esse pau não fica reto! eu tento de novo, eu tento. eixo do corpo, desenha o espaço no espaço.
também propuseram outro jogo muito interessante para a construção do coro do mineirinho... andando pelo espaço, a quel disse palavras, “escolham uma, tragam-na no corpo, mostre-a, relacionem-se.” a palavra que pesa, a palavra em nós, saindo de nós, a palavra do outro.
pelo espaço, palavra no corpo, introduzir ações cotidianas, ouvir o texto, as ações respiram, pares que contam a palavra, espelhos. temos a cena! terreno.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Mostra de Teatro CENA ABERTA
Teatro Elis Regina
Av. João Firmino, 200
Bairro Assunção
São Bernardo do Campo

Nádia e Lili propuseram e o grupo acolheu com abertura e confiança a proposta da colegas.
Deitar-se no chão, deixar o corpo imóvel, esvaziar os pensamentos e aos poucos, deixar que o corpo descobrisse os movimentos de que ele precisava. Demos poder de decisão ao corpo e aos poucos ele foi ganhando o espaço azul e espelhado do salão da Marina. Então elas propuseram que convidássemos também a voz para entrar neste jogo. Corpo e voz em espontânea ação. Às vezes, ouvíamos a voz da Nádia, dizendo: Congela! E verificávamos qual o impulso que aquela posição sugeria. Partíamos novamente para o movimento.
Interessante observar como às vezes o grupo se encontrava. Ora todos tendiam a um mesmo plano ou a um mesmo local, ora o que nos unia era justamente a expansão, o preencher planos e espaços ocupando a sala de forma equilibrada. Pude descobrir elementos novos para a voz... Como tem sido um campo cheio de novidades, este da voz!
Aos poucos fomos encontrando o silêncio e fizemos uma primeira roda. As meninas nos apresentaram para as vogais que trabalham cada um dos "chacras" do corpo. O primeiro ativa a região entre o sexo e o ânus e se expressa pelo "Ü" (uma mistura de i com u). O segundo está no ventre e pedia a vogal U. O terceiro na região do estômago, ou do diafragama, sugeria a vogal O. Do peito vinha o A. Da garganta o E - é esse o registro da comunicação, então viramos para esquerda e direita, dizendo "E" para quem encontrávamos. O sexto estava na lateral da cabeça e pedia o som de I. Nos deitamos encostando esses pontos da cabeça de um na do outro e soamos um uníssono "iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii". I, de intimidade.
Por fim, o sétimo "chacra", no topo da cabeça, foi ativado, com o silêncio. Concentrar-se na produção desse silêncio é tarefa com a qual não estamos acostumados. Silêncio é mais que ausência de som.
Nádia e Lili nos lembraram que o ator sobe ao palco para ser visto. Para que nos vejam é preciso que nós nos mostremos. Como mostrar um corpo inteiro? Como mostrar do meu corpo aquilo que eu não conheço? Como mostrar aquilo no meu corpo, de que não gosto - meus pés tão descuidados, axilas... - com o mesmo prazer daquilo que adoro que vejam - meu colo, os olhos?
Nos mostramos uns aos outros, com a cumplicidade de quem é íntimo, com a disponibilidade de de quem é amigo, de quem está junto e com a vontade de ser visto de quem é ator. Corpos vistos passaram a carregar as imagens que favoreciam este exercício do mostrar-se, do exibir-se: o sol na barriga, a gola no pescoço, a coroa na cabeça, as mãos que entregam. Corpo que se expande, que ocupa o espaço, que se opõe a si mesmo, ocupando alto e baixo, frente e trás a um mesmo tempo.
Voltamos ao chão, voltamos a roda, desta vez sentados para narrar uma história. Íntimos, podíamos ouvir o outro e narrá-lo. Ouvimos a história da Kelly. Eu me emocionei. A Solange ficou com a tarefa de narrar em primeira pessoa a história vivida pela Kelly. Eu narrei em terceira pessoa, a história que ouvi das duas. Narrar o conto do outro pede respeito. É tarefa de responsabilidade.
Encerrando esta etapa montamos uma foto - e fotografamos a foto que montamos - de cada um dos contos do Clarice: em cena. Meninas, postem algumas aqui!
Depois quem tomou frente foi a Ana, pedindo para que escrevéssemos em um pedaço de papel, nomes de locais ou de substâncias. Sorteando os papeizinhos tivemos a chance de nos divertir com Uma História de Tanto Amor no Fusca do Palhaço, Macabéa e Olímpico no Avião, Tanta Mansidão no Àcido (lindo!), Mineirinho no Busão, Sofia e Gertrudes na Teia de Aranha e A Criada no Chiqueiro de Porcos...
Cada núcleo foi ensaiar sua microcena a partir do estímulos gerados pelo jogo...e então nosso tempo foi acabando, acabando, acabando... até que acabou.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
O trabalho de domingo começou com sol. Dez saudações ao sol abriram o dia dos 15 participantes do experimento do dia 27/09. Dois convidados nos acompanharam na brincadeira: Alicio e Juliana (obrigada pela presença, aliás). E os ausentes puderam sentir então que aquela era abertura de um trabalho que pedia entrega, concentração e disponibilidade.
Érika Cunha, a condutora deste dia, nos convidou primeiro a um trabalho de corpo, intenso, de abdominais e poli-chinelos. Disciplinados, os ausentes sentiram nos músculos aquele treinamento rígido, sem esquecer de abrir os ombros e respirar. Alguns movimentos de kung-fu trouxeram aos músculos um grau de tônus maior, precisão no movimento, ativando o baixo-ventre, as bases, a presença. E presença foi uma das palavras mais condutoras de todo o trabalho, não citada, mas no consciente calado dos participantes. Dai, lentamente, levamos o corpo para tomar aquele sol abençoado.
Parte a parte, cada um tomava o seu espaço na sala e ia encontrando a melhor maneira que alongar e espreguiçar as partes que normalmente não são atingidas por luz, e por movimentos mais cotidianos. Ora delicado, ora intenso. O tônus, pode, final, ser delicado e a precisão, nunca abandonada mesmo ativando o mais lúdico do corpo. Experimentar, permitir o corpo ousar.
A queimada, extravasou nossos pequenos gritos, uma vez nestaimeira parte da aula. E a queimada voltou mais tarde. Mas já já eu falo disso.
Na segunda parte do experimento, acessamos o corpo, parte a parte, osso a osso, entragando a possibilidade de movimentação aos poucos, do corpo que invade o espaço, que se expande e que aproveita todas as possibilidades de movimento. O corponatotalidadedomovimento, e nesta 'dança' pudemos escolher três objetos. Três, objetos ou pessoa que queríamos levar conosco, pra sempre. Encontrando uma forma de pegá-lo e de levar, junto de si. No corpo, no passo, na respiração. Como carregá-los com o cuidado que merecem ser carregados? Dialogar, com o corpo com os objetos e com o outro, com seus objetos. Quais diálogos o corpo pode estabelecer, qual o ritmo, quem fala, quem ouve. E se tentasssem tirá-los de você? Como você se defenderia.
Trabalhando com a idéia de defesa, trouxemos a mente a imagem de um animal, e de como a fêmea deste animal defende seus filhotes. E dois a dois defendemos uns para os outros, aquilo que nos era tão precioso. Sem ataque, só defesa. Ampliando a sensibilidade corporal praquem passa por nós, quem nos olha, quem se aproxima. E com estes corpos pesquisando o corpo do animal fomos convidados a voltar a queimada.
Ninguem falava, agora. E adivinha se precisava. Não. O corpo ali, na sua poesia homem-animal, jogou a queimada, e a minha impressão é que terminou muito mais rápido do que quando podiamos conversar. Não precisa, e toda a energia que poderia ser gasta com a fala, estava no corpo, atento, quente, vibrante.
E com todo este calor, atravessamos a sala numa caminhada que durou quarenta minutos, juntos, passo a passo. O tempo de dentro do corpo, o tempo do passo do corpo, o tempo do grupo e o tempo do relógio. Os ombros, começaram a reclamar a gravidade que obrigava a postura a permanecer ereta; os dedos inchados e o olhar (repetindo a palavra, de novo e de novo) presente.
Presença. Atenção. Prontridão.
E última dança me mostrou como coisas novas aparecem no meu repertório de corpo. Ele, feito criança com brinquedo novo, aproveita da idéia dos ritmos, do tônus, do delicado e do intenso. Goza a entrega que se instaurou na sala, pra celebrar, em movimento, o cansaço e cada barreira que ele (e a Érika) pacientemente quebraram.
Kéroly.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Jogos e Improvisação, a partir do clow - coordenação Ailyn Ramirez e Ana Luiza
Começamos com um aquecimento corporal para soltar o corpo.
Em seguida em dupla fizemos um jogo de mostrar o que sabíamos fazer e contagiar o outro, fantástico como um bater palmas contagiava o outro, foi um exercício de aceitar e acreditar no que fazíamos.
Depois fomos para o jogo do presente, também em dupla, davamos um presente imaginário e a outra pessoa tentava advinhar com as dicas de utilidade que dávamos, as situções eram as mais inusitadas, quase comi a barata que a Paula me deu, ainda bem que era invisível, também um jogo de acreditar, tanto para quem recebia como para quem dava o presente.
Fizemos um exercício de chegar no extremo da alegria e da tristeza, primeiro uma pessoa neutra dava um sorriso e passava para outra pessoa que transformava esse sorriso até chegar ao extremo da risada; com a tristeza o procedimento foi o mesmo, alguém passava um rosto triste até chegar no extremo do choro, o mais interessante é que nos extremos as sensações eram parecidas, não dava pra saber se estavam rindo ou chorando.
Agora o momento mais mágico: colocar o nariz " a menor máscara do mundo", o respeito com que Ana e Ailyn trataram desse momento foi incrível, a valorização do palhaço. Quando colocamos o nariz era como se fôssemos crianças descobrindo o mundo, olhando tudo como se fosse a primeira vez. Fizemos o exercício da coxia, com ele exploramos a disponibilidade, verificamos que tudo comunica, então temos que ficar atentos aos gestos, tínhamos que está em estado de prontidão sempre.
Valeu a experiência, o cuidado, a maneira como foi conduzido, tudo na medida certa.
Nádia
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Clarice: EM CENA
terça-feira, 5 de maio de 2009
Agenda
Dia 15 de maio (sexta-feira), às 19h
Apresentação gratuita da Programação Cultural na XIII Semana de Filosofia da UMESP "O Pensamento Filosófico e a Revolução Francesa"
Rua Alfeu Tavares, 149 - ANEXO FI - Rudge Ramos - São Bernardo do Campo
quinta-feira, 9 de abril de 2009
De onde vem essa Ausência em Cena...
Da vontade de frequentadores da Câmara de Cultura Antonino Assunção, em São Bernardo do Campo, nasceu o projeto "Clarice Lispector:", realizado de abril a julho de 2008. A programação contou palestras, espetáculos e oficinas que abordavam o universo intrigante e misterioso da obra da escritora.
Uma das últimas oficinas que compunham a programação recebeu o nome de "Clarice: em cena" e foi conduzida pela atriz Paula Carrara durante o mês de julho. Os inscritos foram divididos em duas turmas. A proposta consistia em trabalhar a partir de contos da obra "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector. À primeira turma couberam os contos "A mensagem", "O primeiro beijo" e "Tentação", enquanto a segunda tomou contato com "O ovo e a galinha" e "A legião estrangeira".O resultado do trabalho que cada grupo realizou durante aproximadamente uma semana foi levado ao público por meio de um exercício cênico que recebeu o mesmo nome da oficina.
A experiência de mastigar, cheirar, comer...enfim, sentir o texto das mais diversas formas até que pudéssemos transpô-lo para partituras corporais, os exercícios que incomodavam as formas acostumadas do corpo, a concentração que pedia que o silêncio tomasse conta do espaço, as massagens - huuum! - das quais brotavam dores, sons e prazer - e a constante exigência de Paula para que estivéssemos atentos ao mais importante - nos divertirmos! - deixou em nós "inúmeras e inimagináveis riquezas"; "uma beleza de olhar novo".
Contato bom e transformador: desejamos mantê-lo. Tempo vai, tempo vem, conversas, encontros, mensagens, poesias, saudades... Até que em Janeiro de 2009, nos encontramos num bar e ousamos perguntar uns aos outros: "Por que não continuamos?". Não encontramos respostas que nos preenchessem tanto quanto aqueles encontros nas noites de julho, e novamente nos fizemos presentes no começo de Fevereiro de 2009, na Câmara de Cultura Antonino Assunção para retomar nossos exercícios, ensaios e experiências de troca.
Eis que em um mês estávamos "em cena", com Clarice, outra vez. Apresentação nova, recheada de prazer, que unia o trabalho dos dois grupos - que agora era um só. Desta vez não deixamos tudo que nos preenche esfriar. Ausentes de nossos pensamentos que nos levam para longe - e nos fixam as chamadas "obrigações do dia-a-dia", vulgos trabalho, casa, faculdade, dinheiro - nos sentamos, confirmamos que o que fora bom para um fora também muito bom para o outro e, ausentes em cena, estamos aqui.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Ausência em cena...

Ausência: s. f. 1.Estado ou circunstância de não estar presente; 2.Tempo que dura a ausência. 3.Falta de comparência. 4.Carência.
Cena (ê): s. f. 1.Palco (1.ª acepção). 2.Cenário. 3.Arte dramática. 4.Subdivisão de um ato durante o qual as mesmas personagens ocupam a cena. 5.Teatro. 6.Conjunto de objetos que se oferecem à vista. 7.Espetáculo. 8.Panorama. 9.Vista. 10.Paisagem.11.Ação, ato ou fato que prende a atenção, que faz despertar qualquer sentimento. 12.Cena cômica: peça jocosa em um ato representada só por um ator.
Ausência em Cena: acossados pela duração e implacabilidade do tempo, a cena torna-se o lugar onde o instante quer fazer-se perpétuo; quer, na sua finitude, perdurar dentro de quem testemunha a aparição dessa ausência-presença. Nós, arquitetos desse paradoxo, temos como instrumento o nosso corpo: é ele que damos a sacrifício para a dissolução do instante (nós somos um corpo – quem de fato é dado a sacrifício?) Compomos gestos insensatos, fungindo à razão, encontrando a loucura; buscamos o ser-corpo. É nele que existimos. E a existência habita o lugar onde despertamos os sentimentos numa iluminação em via dupla, ausente de quarta parede – ausentes de nós. Ser-somente corpo.


